Originalmente distribuído ao longo da costa brasileira e presente em 17 estados, a Mata Atlântica é o lar de 72% dos brasileiros e concentra 80% do PIB nacional. Dela dependem serviços essenciais como abastecimento de água, regulação do clima, agricultura, pesca, energia elétrica e turismo. Hoje, restam apenas 24% da floresta que existia originalmente, sendo que apenas 12,4% são florestas maduras e bem preservadas (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, 2024 https://www.sosma.org.br/causas/mata-atlantica/.).
O bioma abrange uma diversidade de formações naturais, incluindo florestas ombrófilas e estacionais, restingas, manguezais e campos de altitude, configurando-se como patrimônio nacional conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Com área aproximada de 1.300.000 km², a Mata Atlântica apresenta importância estratégica para cerca de 120 milhões de brasileiros que vivem em seus domínios, concentrando elevada diversidade biológica, com aproximadamente 20 mil espécies vegetais, além de centenas de espécies de mamíferos, répteis, anfíbios, peixes e aves.
Embora o número de áreas protegidas tenha aumentado nos últimos anos, grande parte dos remanescentes de vegetação nativa ainda permanece vulnerável às pressões antrópicas, refletindo um histórico de ocupação e exploração intensiva desde o período colonial (ICMBIO, 2024 https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/unidade-de-conservacao/unidades-de-biomas/mata-atlantica.).
A Serra do Mar abriga um dos maiores contínuos de Mata Atlântica do mundo, se estendendo ao longo da costa sul e sudeste do Brasil, do Rio de Janeiro ao norte de Santa Catarina. Nessa paisagem única, marcada por uma cadeia de montanhas que garantem uma alta diversidade de ambientes e espécies, estão localizados os municípios de Paraty (RJ) e Cunha (SP), ambos territórios de atuação do ObsBio.
A pesquisa tem como objetivo inventariar e monitorar a mastofauna terrestre não voadora da Fazenda Bananal, utilizando diferentes metodologias de amostragem. Busca-se elaborar uma lista das espécies presentes nas distintas paisagens da área e identificar mamíferos enquadrados em categorias de ameaça nas listas estaduais, nacionais e internacionais. Além disso, o estudo pretende comparar a mastofauna registrada com listas regionais e analisar, de forma quantitativa, a diversidade e a similaridade entre as paisagens estudadas.
Pesquisadores responsáveis: Erika Hingst-Zarer e Andrés Rojas.
A pesquisa tem como objetivo monitorar a avifauna da Fazenda Bananal por meio de gravadores autômatos, um método de monitoramento acústico passivo. Os registros sonoros permitem a detecção das espécies ao longo do tempo e a identificação de padrões ecológicos da avifauna da Fazenda. Com isso, pretende-se elaborar uma lista de espécies, indicando espécies endêmicas, ameaçadas e migratórias, além de analisar e comparar a composição e a dinâmica da comunidade em diferentes ambientes.
Pesquisador responsável: Me. Luciano Lima.
O estudo tem como objetivo inventariar a flora e a estrutura das áreas de mata mais conservadas da Fazenda Bananal, com foco na identificação, mapeamento e monitoramento de espécies arbóreas ameaçadas de extinção e de indivíduos com potencial para atuarem como matrizes. A pesquisa inclui a análise da comunidade arbustivo-arbórea, o acompanhamento fenológico das espécies ameaçadas, o enriquecimento de herbários de referência e a formação de recursos humanos nas áreas de botânica e conservação.
Pesquisadores responsáveis: Dr. Marcelo Costa Souza; Gabriela Lopes Pereira; João Pedro Bernardo e Lucas Teixeira.
O projeto tem como objetivo inventariar, monitorar e analisar a herpetofauna da Fazenda Bananal, avaliando a diversidade, a dinâmica populacional e o uso do habitat por répteis e anfíbios em diferentes paisagens, incluindo áreas de agrofloresta e florestas primária e secundária. Também prevê a produção de registros fotográficos e publicações científicas para difundir o conhecimento gerado, além de ações de capacitação da comunidade local e dos trabalhadores da Fazenda, com foco na prevenção de acidentes e no manejo seguro de serpentes peçonhentas.
Pesquisadores responsáveis: Dr. Silvia Regina Cardoso e Me. Eletra de Souza.
O objetivo geral da pesquisa é desenvolver um protocolo abrangente de monitoramento da restauração ecológica na Fazenda Candeia, com foco no aprimoramento da gestão e do planejamento das ações de restauração e conservação. Para isso, pretende-se realizar o censo das espécies plantadas nas áreas em restauração, avaliar o desenvolvimento das mudas, estimar índices ecológicos, mapear as mudanças no uso e na cobertura do solo desde a aquisição da propriedade e estabelecer um protocolo sistemático de monitoramento. O estudo também visa orientar futuras ações de implantação e acompanhamento dos processos de restauração ecológica na fazenda.
Pesquisadores responsáveis: Dr. Jerônimo Sansevero, Breno Oliveira, Joaquim Souza, Gustavo Domingues e Milene Ramos.
A Mata Atlântica guarda segredos invisíveis e um deles, ainda muito a ser descoberto, é o universo dos cogumelos. O livro ‘Cogumelos - Fazenda Bananal’ contribui para desvendarmos um pouco mais esse mundo, revelando 102 espécies de cogumelos identificadas na Fazenda Bananal, em Paraty (RJ).
Resultado de pesquisa científica liderada pela bióloga Noemia KazueIshikawa, este trabalho documenta a riqueza do Reino Fungi e revela como os fungos sustentam, regeneram e conectam a vida na floresta.